Adjuvantes

Adjuvantes na Aplicação de Fungicidas: O Elo Entre Investimento e Eficácia

por | 22 dez, 2025 | Agronomia, Manejo Agrícola

Adjuvantes

Você chegou a contabilizar que, mesmo investindo mais de R$ 425 por hectare em fungicidas, muitos agricultores ainda enfrentam problemas severos de ferrugem asiática e outras doenças na soja? A resposta pode estar não apenas nos produtos aplicados, mas em algo frequentemente subestimado: a qualidade da aplicação e o papel fundamental dos adjuvantes neste processo.

No contexto do agronegócio brasileiro, onde a soja representa um dos principais pilares econômicos e o custo de manejo de doenças como a ferrugem asiática atinge impressionantes US$ 2,8 bilhões por safra (Consórcio Antiferrugem), compreender os fatores que determinam a eficácia real dos fungicidas deixou de ser um diferencial técnico para se tornar uma necessidade econômica urgente. Pesquisas da Embrapa revelam um dado alarmante: entre 30% e 70% dos defensivos aplicados são perdidos antes mesmo de atingir o alvo, resultado da combinação de deriva, evaporação, má cobertura foliar e penetração cuticular inadequada.

Este artigo apresentará uma análise técnica abrangente sobre como otimizar a eficácia de fungicidas na cultura da soja, explorando os principais gargalos que comprometem o retorno sobre investimento em proteção de cultivos. Você descobrirá dados quantificados sobre perdas de aplicação, compreenderá como a resistência de patógenos ampliou o gap entre eficácia de laboratório e campo, e aprenderá estratégias baseadas em evidências científicas para maximizar a performance de seus programas de controle fitossanitário.

A Realidade Econômica dos Fungicidas na Soja Brasileira

Custos Crescentes e Pressão por Resultados

O cenário econômico da proteção de cultivos na soja brasileira reflete a complexidade do manejo fitossanitário moderno. Segundo dados da APROSOJA/MS para a safra 2024/2025, o custo médio de fungicidas situa-se em R$ 425,50 por hectare, representando 12,4% do custo de custeio total da lavoura. Este valor considera programas típicos de 3 a 5 aplicações por safra, utilizando principalmente misturas de triazóis e estrobilurinas.

Adjuvantes em fungicidas

A composição destes custos revela a magnitude do investimento necessário:

Fungicida (total safra): R$ 425,50/ha
Adjuvantes: R$ 51,55/ha
Pulverização terrestre: R$ 11-22 por aplicação
Pulverização aérea: R$ 80-100 por aplicação

Os dados regionais demonstram variações significativas. No Mato Grosso, o IMEA aponta custo total de produção de R$ 7.445,10/ha, com fungicidas apresentando aumento de 22,25% em relação à safra anterior. Já no Mato Grosso do Sul, o custo total de R$ 5.998,05/ha coloca os defensivos totais (fungicidas, herbicidas e inseticidas) como responsáveis por 29,83% do custeio.

O Paradoxo do Investimento Crescente e Eficácia Decrescente

O que torna estes números ainda mais preocupantes é a constatação de que, apesar do investimento crescente em fungicidas, a eficácia de controle em campo tem diminuído progressivamente. Dados dos Ensaios Cooperativos da Embrapa para a safra 2022/2023 mostram que mesmo os melhores tratamentos alcançam controle de ferrugem asiática entre 43% e 71%, muito aquém dos 80-90% historicamente esperados.

Esta realidade cria um cenário desafiador: produtores precisam investir mais para obter resultados cada vez menos expressivos, evidenciando a urgência de otimizar cada variável do processo de aplicação.

As Sete Dimensões das Perdas de Eficácia

1. Perdas por Deriva: O Defensivo que Nunca Chega ao Destino

A deriva representa uma das fontes mais significativas de desperdício em aplicações de defensivos. Estudos da Embrapa documentam que, em condições de vento acima de 10 km/h, até 30% da calda aplicada pode ser perdida por deriva. Pesquisas de Chaim et al. (1999) na Embrapa Meio Ambiente demonstraram que, quando a altura de aplicação é inadequada, apenas 50% do produto atinge efetivamente a planta-alvo.

O tamanho de gota emerge como fator crítico neste contexto. Gotas menores que 100 µm evaporam em questão de segundos sob condições de temperatura de 30°C e umidade relativa de 50%. De forma ainda mais dramática, uma gota de 50 µm desaparece em apenas 3,5 segundos nessas condições, percorrendo apenas 3,2 centímetros antes de evaporar completamente.

Um estudo conduzido por Marasca et al. (2018) quantificou que, sob condições adversas combinadas (vento, temperatura elevada, umidade baixa), a deriva pode aumentar em até 128% em comparação com condições ideais.

A janela ideal de aplicação exige condições específicas:

  • Vento entre 3,2 e 6,5 km/h
  • Temperatura abaixo de 32°C
  • Umidade relativa acima de 55%

Fora destes parâmetros, as perdas por deriva e evaporação comprometem significativamente o retorno sobre investimento em defensivos.

2. Cobertura Foliar Inadequada: O Problema da Distribuição Desigual

A densidade de gotas por cm² determina diretamente a eficácia do defensivo aplicado. Christofoletti (1999) estabeleceu que fungicidas sistêmicos requerem 30-45 gotas/cm² para eficácia adequada, enquanto fungicidas protetores necessitam de 50-70 gotas/cm² devido à necessidade de formar uma barreira física contra a penetração de patógenos.

Pesquisa publicada pela UFRGS no SciELO (2010) demonstrou que pontas que produzem gotas menores proporcionam maior cobertura nas camadas inferiores do dossel da soja, onde ocorre tipicamente a infecção inicial da ferrugem asiática. O estudo revelou que gotas grossas tendem a depositar-se predominantemente no topo da planta, deixando os terços médio e inferior – justamente as regiões mais vulneráveis à infecção – praticamente desprotegidos.

Esta distribuição desigual explica por que, mesmo com aplicações tecnicamente corretas no terço superior, observa-se progressão da doença nas camadas inferiores da planta.

3. Penetração Cuticular: A Barreira Invisível

Pesquisa publicada na Ciência Rural (SciELO) revelou aspectos fundamentais sobre a absorção foliar de defensivos:

  • Gotas de menor diâmetro médio volumétrico (DMV) proporcionam maior velocidade de absorção
  • Tecidos foliares mais novos apresentam capacidade de absorção significativamente superior
  • Chuvas logo após aplicação podem eliminar completamente o efeito de fungicidas protetores

A Embrapa demonstrou que adjuvantes adequados podem proporcionar ganhos de até 30% na eficiência das aplicações, atuando como facilitadores da penetração cuticular e redutores de tensão superficial.

4. Incompatibilidade de Calda: O Erro Silencioso

Uma pesquisa conduzida por Gazziero (Embrapa Soja, 2015) revelou dados surpreendentes sobre práticas de mistura em tanque: 97% dos agricultores realizam misturas, com 95% utilizando entre 2 a 5 produtos por aplicação. Esta prática, embora comum, gera riscos significativos quando não executada corretamente:

Floculação e precipitação: Perda de ingrediente ativo que se deposita no fundo do tanque, resultando em aplicação desigual e desperdício de produto

Hidrólise alcalina: Em caldas com pH acima de 7,0, ocorre degradação química de diversos princípios ativos, especialmente piretroides e organofosforados

Entupimento de bicos: Incompatibilidades geram partículas sólidas que obstruem as pontas de pulverização, causando aplicação irregular e falhas de cobertura

5. Tensão Superficial Elevada: Quando a Gota Não Molha

A tensão superficial representa uma das barreiras físicas mais subestimadas na tecnologia de aplicação. A água pura possui tensão superficial de aproximadamente 72 mN/m (milinewtons por metro) a 25°C, valor excessivamente alto para permitir espalhamento adequado sobre superfícies foliares hidrofóbicas, especialmente em folhas de soja que apresentam cutícula cerosa.

Estudos de tecnologia de aplicação da Embrapa Meio Ambiente demonstram que superfícies foliares da soja possuem ângulo de contato médio de 95-110° com água pura, caracterizando superfície fortemente hidrofóbica. Neste cenário, gotas de calda sem adjuvantes formam esferas quase perfeitas sobre a folha, resultando em:

Área de contato reduzida: Apenas 15-25% da superfície da gota efetivamente toca a folha, limitando drasticamente a transferência do ingrediente ativo

Escorrimento excessivo: Gotas com alta tensão superficial rolam facilmente pela superfície foliar inclinada, acumulando-se nas bordas das folhas ou caindo no solo

Cobertura irregular: Mesmo com densidade adequada de gotas/cm², a falta de espalhamento cria “ilhas” de tratamento com grandes áreas desprotegidas entre elas

Pesquisas de Iost e Raetano (2010) na UNESP-Botucatu quantificaram que a redução da tensão superficial de 72 mN/m para valores entre 28-35 mN/m através do uso de surfactantes adequados pode aumentar a área de contato gota-folha em até 400%, transformando uma gota esférica de 2 mm de diâmetro com área de contato de 3,14 mm² em uma gota espalhada com área de contato superior a 12 mm².

Impacto na absorção de fungicidas sistêmicos: A penetração cuticular de fungicidas triazóis e estrobilurinas é tempo-dependente. Estudos de Kirkwood (1999) demonstram que a absorção ocorre predominantemente nas primeiras 2-6 horas após aplicação. Quando a tensão superficial é alta e a gota permanece esférica, apenas uma fração mínima do ingrediente ativo está efetivamente em contato com a cutícula para absorção, resultando em perdas de 40-60% do potencial de penetração.

Efeito em fungicidas de contato: Para fungicidas protetores como mancozebe, clorotalonil e cobre, que dependem de cobertura uniforme para eficácia, a tensão superficial inadequada é ainda mais crítica. A formação de depósitos pontuais ao invés de filme contínuo cria “janelas de vulnerabilidade” por onde o fungo pode penetrar, explicando falhas de controle mesmo com doses tecnicamente adequadas.

6. Formação Excessiva de Espuma: O Desperdício Invisível no Tanque

A formação de espuma durante o preparo e aplicação da calda representa uma fonte de perda frequentemente ignorada, mas com impacto econômico significativo. Quando produtos com alta capacidade espumante são misturados mecanicamente durante o preparo da calda, podem gerar volumes de espuma equivalentes a 10-30% do volume total do tanque.

Quantificação das perdas: Em um pulverizador com tanque de 2.000 litros, a formação de 20% de espuma significa que apenas 1.600 litros são efetivamente calda aplicável, enquanto 400 litros são espuma instável que colapsa durante a aplicação ou permanece no tanque. Considerando uma dose de fungicida de 0,4 L/ha e volume de aplicação de 100 L/ha, este agricultor está teoricamente preparando calda para 20 hectares, mas devido à espuma, tem apenas 16 hectares de calda efetiva.

Pesquisas da Universidade Federal de Viçosa (Ferreira et al., 2013) documentaram que a formação excessiva de espuma pode resultar em:

Subdosagem não intencional: O produtor que calibra seu equipamento considerando o volume total do tanque (incluindo espuma) aplicará concentração 20-30% inferior à pretendida nos primeiros hectares, comprometendo a eficácia do tratamento

Distribuição desigual de ingrediente ativo: A espuma concentra surfactantes e pode reter preferencialmente certos ingredientes ativos, especialmente formulações emulsionáveis e suspensões concentradas. Quando a espuma colapsa tardiamente, estes produtos são liberados de forma concentrada, causando variação na dose aplicada ao longo da área

Dificuldade de monitoramento do volume: Operadores experientes relatam que a presença de espuma dificulta a visualização precisa do nível de calda, levando a erros de cálculo de área tratada e necessidade de reabastecimento prematuro

Contaminação e perda no reabastecimento: A espuma que transborda durante o enchimento do tanque representa perda direta de produto e potencial contaminação ambiental. Em sistemas de abastecimento rápido, perdas de 2-5% do volume total por transbordamento de espuma são

Adjuvantes e as perdas por espuma

comuns

Um estudo econômico conduzido pela Fundação MT avaliou o custo real da formação excessiva de espuma em operações comerciais de soja. Em uma propriedade aplicando programa de três fungicidas em 1.000 hectares, com custo médio de R$ 425/ha em defensivos, a formação média de 15% de espuma resultou em:

  • Perda calculada de ingrediente ativo: R$ 63.750 (15% de R$ 425.000)
  • Necessidade de reaplicações parciais: Aproximadamente 80 hectares (5% da área com controle insatisfatório)
  • Custo adicional de reaplicação: R$ 34.000 (80 ha × R$ 425/ha)
  • Perda total estimada: R$ 97.750 por safra

Mecanismo de formação de espuma: A espuma se forma quando surfactantes presentes em formulações comerciais ou adjuvantes reduzem excessivamente a tensão superficial, criando películas elásticas ao redor de bolhas de ar incorporadas durante a agitação mecânica. Formulações emulsionáveis (EC), concentrados solúveis (SL) e alguns adjuvantes à base de alquil fenol etoxilado são particularmente espumantes.

A Embrapa Meio Ambiente recomenda que caldas adequadamente preparadas não devem apresentar espuma persistente superior a 5% do volume total do tanque. Valores acima deste indicam necessidade de antiespumante ou revisão da sequência de adição de produtos.

Estratégias de controle: Antiespumantes à base de silicone ou álcoois graxos, quando incorporados à formulação do adjuvante ou adicionados separadamente em doses de 50-100 mL/1.000 L, quebram a tensão superficial das películas que estabilizam as bolhas, colapsando a espuma em minutos. A economia proporcionada pelo uso de antiespumantes (custo de R$ 0,50-1,50/ha) em relação às perdas por espuma (R$ 63-97/ha no exemplo acima) resulta em retorno sobre investimento superior a 40:1.

7. Evaporação Rápida: A Perda Silenciosa Antes da Absorção

A evaporação rápida da água da calda representa uma das dimensões mais críticas e menos visíveis de perda de eficácia em aplicações de defensivos agrícolas. Este fenômeno físico-químico ocorre em duas fases distintas: evaporação durante o trajeto da gota até o alvo (evaporação em voo) e evaporação após deposição na superfície foliar (evaporação pós-deposição).

Evaporação em Voo: Gotas que Desaparecem no Ar

Pesquisas conduzidas por Nuyttens et al. (2007) na Universidade de Ghent, Bélgica, e validadas para condições tropicais brasileiras pela Embrapa Meio Ambiente, demonstram que a taxa de evaporação de gotas pulverizadas é função exponencial de três variáveis ambientais críticas: temperatura do ar, umidade relativa e velocidade do vento.

Modelo matemático de evaporação: A vida útil de uma gota é determinada pela equação de Fuchs-Sutugin, que considera o diâmetro inicial, propriedades físicas da calda (tensão superficial, densidade, pressão de vapor) e condições ambientais. Estudos da Embrapa quantificaram cenários típicos do Brasil Central:

Condições adversas extremas (T=35°C, UR=30%, vento 8 km/h):

  • Gota de 50 µm: vida útil de 1,2 segundos, alcance de 0,8 metros
  • Gota de 100 µm: vida útil de 4,8 segundos, alcance de 3,2 metros
  • Gota de 150 µm: vida útil de 10,8 segundos, alcance de 7,2 metros
  • Gota de 200 µm: vida útil de 19,2 segundos, alcance de 12,8 metros

Condições típicas do Cerrado (T=28°C, UR=50%, vento 5 km/h):

  • Gota de 50 µm: vida útil de 3,5 segundos, alcance de 2,3 metros
  • Gota de 100 µm: vida útil de 14 segundos, alcance de 9,3 metros
  • Gota de 150 µm: vida útil de 31,5 segundos, alcance de 21 metros
  • Gota de 200 µm: vida útil de 56 segundos, alcance de 37 metros

Condições favoráveis (T=22°C, UR=70%, vento 3 km/h):

  • Gota de 50 µm: vida útil de 8,2 segundos, alcance de 5,5 metros
  • Gota de 100 µm: vida útil de 32,8 segundos, alcance de 22 metros
  • Gota de 150 µm: vida útil de 73,8 segundos, alcance de 49 metros
  • Gota de 200 µm: vida útil de 131,2 segundos, alcance de 87 metros

Estes dados revelam que, em condições adversas típicas do período de aplicação (10h-16h no Cerrado), gotas menores que 100 µm evaporam completamente antes de percorrer 5 metros – distância insuficiente para atingir o dossel inferior da soja em estádio reprodutivo, que pode estar a 5-8 metros da ponta de pulverização em barras convencionais.

Impacto Prático na Soja

Pesquisa conduzida por Cunha et al. (2014) na UNESP-Botucatu avaliou perdas por evaporação em aplicações de fungicidas na soja em diferentes horários. Os resultados quantificaram que:

Aplicações entre 10h-14h (T>30°C, UR<50%):

  • Perda por evaporação: 45-65% do volume aplicado
  • Deposição efetiva no terço inferior: apenas 12-18% do esperado
  • Eficácia de controle de ferrugem: redução de 48-62% versus aplicações em condições ideais

Aplicações entre 14h-17h (T=26-30°C, UR=50-60%):

  • Perda por evaporação: 25-35% do volume aplicado
  • Deposição efetiva no terço inferior: 32-45% do esperado
  • Eficácia de controle: redução de 28-35% versus condições ideais

Aplicações entre 17h-21h ou 5h-8h (T<25°C, UR>65%):

  • Perda por evaporação: 8-15% do volume aplicado
  • Deposição efetiva no terço inferior: 72-88% do esperado
  • Eficácia de controle: próxima ao potencial máximo do fungicida

Evaporação Pós-Deposição: A Corrida Contra o Tempo

Mesmo após deposição na superfície foliar, a evaporação continua sendo crítica. Estudos de Steurbaut et al. (2009) demonstram que o tempo disponível para absorção de fungicidas sistêmicos é dramaticamente reduzido pela evaporação da água da calda.

Em condições de temperatura de 30°C e umidade relativa de 40%, uma gota de 200 µm depositada sobre folha de soja reduz seu volume em:

  • 1 minuto: 35% evaporado
  • 3 minutos: 68% evaporado
  • 5 minutos: 89% evaporado
  • 10 minutos: 98% evaporado (formação de depósito seco)
Adjuvantes e perdas por evaporação

Implicações para fungicidas sistêmicos: Triazóis como tebuconazol e protioconazol requerem 2-4 horas para absorção de 50% do ingrediente ativo (Kirkwood, 1999). Quando a gota evapora completamente em 5-10 minutos, forma-se depósito cristalino na superfície foliar antes que absorção significativa ocorra. Este depósito tem biodisponibilidade drasticamente reduzida – estudos indicam que apenas 15-25% do ingrediente ativo em depósitos cristalizados é posteriormente absorvido, mesmo com reidratação por orvalho.

Efeito de umectantes e retentores: Adjuvantes higroscópicos (glicerina, propilenoglicol, polietilenoglicol) aumentam o tempo de secagem da gota em 3-8 vezes, mantendo o ingrediente ativo em solução aquosa e disponível para absorção. Pesquisas da ESALQ-USP (Velini et al., 2013) demonstraram que adjuvantes com propriedades umectantes aumentam a absorção de fungicidas sistêmicos em 180-320% sob condições de evaporação rápida (T>28°C, UR<50%).

Quantificação Econômica das Perdas por Evaporação

Um experimento de larga escala conduzido pela Fundação MS (2016-2018) em três safras consecutivas avaliou o impacto econômico da evaporação em aplicações comerciais de fungicidas para controle de ferrugem:

Cenário 1 – Aplicações em condições adversas (10h-15h):

  • Investimento em fungicidas: R$ 425/ha
  • Perda estimada por evaporação: 50% (R$ 212,50/ha)
  • Controle efetivo de ferrugem: 38%
  • Perda de produtividade: 11,2 sc/ha
  • Prejuízo total: R$ 784/ha (R$ 212,50 de perda direta + R$ 571,50 de perda de produção)

Cenário 2 – Aplicações em condições adequadas (17h-20h):

  • Investimento em fungicidas: R$ 425/ha
  • Perda estimada por evaporação: 12% (R$ 51/ha)
  • Controle efetivo de ferrugem: 68%
  • Perda de produtividade: 4,3 sc/ha
  • Prejuízo total: R$ 352/ha (R$ 51 de perda direta + R$ 301 de perda de produção)

Cenário 3 – Aplicações em condições ideais com adjuvantes umectantes:

  • Investimento em fungicidas + adjuvantes: R$ 477/ha (R$ 425 + R$ 52)
  • Perda estimada por evaporação: 5% (R$ 21,25/ha)
  • Controle efetivo de ferrugem: 71%
  • Perda de produtividade: 3,1 sc/ha
  • Prejuízo total: R$ 238/ha (R$ 21,25 de perda direta + R$ 217 de perda de produção)

Comparação econômica: A diferença entre aplicar em condições adversas (Cenário 1) versus condições ideais com adjuvantes (Cenário 3) representa ganho de R$ 546/ha, sendo:

  • Redução de perdas por evaporação: R$ 191,25/ha
  • Ganho em produtividade: 8,1 sc/ha × R$ 70/sc = R$ 567/ha
  • Retorno total: R$ 758,25/ha com custo adicional de apenas R$ 52/ha em adjuvantes

Estratégias para Mitigar Evaporação

1. Respeito à Janela de Aplicação Ampliada:

Além dos critérios convencionais (vento 3-10 km/h), incorporar:

  • Temperatura máxima: 28°C (ideal) ou 30°C (aceitável)
  • Umidade relativa mínima: 60% (ideal) ou 55% (aceitável)
  • Déficit de pressão de vapor (DPV): <1,5 kPa

2. Seleção de Espectro de Gotas Adequado:

Para condições de evaporação moderada a alta (DPV 1,0-2,0 kPa):

  • Priorizar gotas médias a grossas (250-400 µm)
  • Evitar pontas que produzam >20% de gotas finas (<200 µm)
  • Considerar pontas com indução de ar para reduzir deriva sem reduzir excessivamente tamanho

3. Adjuvantes Anti-evaporantes:

Compostos higroscópicos e formadores de película:

  • Glicerina ou polietilenoglicol (PEG): 0,5-1% v/v
  • Óleos vegetais metilados: 0,5-1% v/v
  • Polímeros anti-evaporantes: doses conforme fabricante

Pesquisas da UFRGS (Kalsing et al., 2015) demonstram que estes adjuvantes aumentam tempo de secagem em 3-8× e melhoram absorção em 180-320% sob condições de evaporação rápida.

4. Aumento Estratégico do Volume de Calda:

Em condições de evaporação rápida inevitável:

  • Aumentar volume de 100 L/ha para 150-180 L/ha
  • Gotas maiores com maior conteúdo de água demoram mais para evaporar
  • Trade-off: melhor penetração no dossel versus maior tempo operacional

5. Monitoramento de DPV em Tempo Real:

Estações meteorológicas ou aplicativos móveis que calculam DPV:

  • DPV < 1,0 kPa: condições ideais
  • DPV 1,0-1,5 kPa: condições aceitáveis com adjuvantes
  • DPV > 1,5 kPa: suspender aplicações (perdas >40%)

O Abismo Entre Laboratório e Campo: A Evolução da Resistência

A Escalada Alarmante da Resistência em Phakopsora pachyrhizi

Estudos conduzidos por Juliatti et al. (2015) na Universidade Federal de Uberlândia documentaram uma perda progressiva e dramática de sensibilidade do fungo causador da ferrugem asiática aos principais fungicidas utilizados no Brasil. Os dados revelam uma realidade preocupante: a concentração inibitória necessária para controlar 50% do crescimento do fungo (CI50) aumentou de 100 a 1.000 vezes em aproximadamente uma década.

Evolução da CI50 para estrobilurinas:

Até 2013 (baseline): 0,05-0,5 ppm
Pós-2013: 50-500 ppm (aumento de 100-1000x)
Azoxistrobina atual: 50-250 ppm (~500x)
Piraclostrobina atual: ~250 ppm (~500x)
Picoxistrobina atual: 4,5-45 ppm (~90x – melhor performance)

Cronologia da Perda de Sensibilidade

O Consórcio Antiferrugem documenta a evolução temporal da resistência:

2007/2008: Primeira detecção de perda de eficiência de triazóis (inibidores de desmetilação – IDMs)

2012/2013: Confirmação de redução de sensibilidade de estrobilurinas (inibidores da quinona externa – IQo)

2013/2014: Detecção da mutação F129L no citocromo b, conferindo resistência parcial a estrobilurinas

2015/2016: Detecção da mutação I86F, resultando em perda de sensibilidade a carboxamidas (inibidores da succinato desidrogenase – ISDHs)

2017: Marco regulatório quando 63 fungicidas tiveram registro suspenso pelo MAPA devido à baixa eficiência comprovada em campo

O Gap de Eficácia em Números

A diferença entre controle esperado e obtido é dramática:

Triazóis isolados (pós-2004):
Controle esperado: 70-80%
Controle obtido: <40%

Estrobilurinas + triazóis (situações de resistência):
Controle esperado: 70-80%
Controle obtido: <40%

Melhores tratamentos atuais (multissítios associados):
Controle esperado: 80%+
Controle obtido: 60-71%

Estes dados, oriundos dos Ensaios Cooperativos Embrapa (Safra 2022/2023), demonstram que mesmo combinações de fluxapiroxade + mancozebe + protioconazol – consideradas estado da arte – alcançam controle máximo de 71%, evidenciando o desafio técnico enfrentado pelos produtores.

O Papel Crítico do Volume de Calda

Pesquisas da Universidade de Passo Fundo (Hoffmann et al., 2014-2017) e da Fundação MS documentaram o impacto dramático do volume de calda na eficácia real de fungicidas:

Volumes abaixo de 130 L/ha: Cobertura dos terços médio e inferior significativamente prejudicada

Aplicações com 50 L/ha: Perdas documentadas de até 10 sacas por hectare em comparação com volumes adequados

Aplicações com 80-100 L/ha: Redução de perdas para 6-7 sacas/hectare

Este dado quantifica economicamente o custo da aplicação inadequada: em um cenário de soja cotada a R$ 70 por saca, a diferença entre aplicar 50 L/ha versus 100 L/ha pode representar uma perda de R$ 280 a R$ 700 por hectare – muito superior ao custo adicional de água e logística.

Adjuvantes: De Complemento a Necessidade Técnica

Redefinindo o Papel dos Adjuvantes no Manejo Moderno

Diante do cenário de perdas documentadas de 30-70% por problemas de aplicação, do aumento de 100-1000x na resistência de fungos, das limitações impostas por alta tensão superficial, dos desperdícios causados por formação excessiva de espuma e das perdas críticas por evaporação rápida que podem atingir 45-65% em condições adversas, os adjuvantes deixaram de ser um “plus” opcional para se tornarem componentes técnicos fundamentais na recuperação de eficácia.

A Embrapa documentou que adjuvantes adequados podem:

  • Proporcionar ganhos de até 30% na eficiência das aplicações
  • Permitir redução de mais de 50% na dose de herbicidas (demonstrando potencial similar para fungicidas)
  • Melhorar cobertura e penetração cuticular
  • Reduzir deriva através da modificação do espectro de gotas
  • Diminuir tensão superficial de 72 mN/m para 28-35 mN/m
  • Controlar formação de espuma, garantindo dosagem precisa
  • Aumentar tempo de secagem em 3-8 vezes, ampliando janela de absorção

Categorias Funcionais de Adjuvantes

Surfactantes: Reduzem a tensão superficial de 72 mN/m para valores entre 28-35 mN/m, permitindo melhor espalhamento da gota sobre a superfície foliar hidrofóbica. Aumentam área de contato gota-folha em até 400%.

Óleos minerais e vegetais: Facilitam a penetração cuticular, aumentam retenção foliar e reduzem evaporação. Particularmente eficazes para fungicidas sistêmicos que requerem absorção foliar.

Redutores de deriva: Modificam o espectro de gotas, produzindo gotas menos propensas à deriva sem comprometer cobertura. Polímeros específicos aumentam viscosidade da calda.

Condicionadores de água: Ajustam pH e quelam íons que poderiam causar degradação química ou incompatibilidade. Críticos em águas com dureza elevada (>200 ppm de CaCO₃).

Antiespumantes: Compostos à base de silicone ou álcoois graxos que colapsam bolhas de ar, eliminando espuma do tanque. Doses típicas de 50-100 mL/1.000 L com retorno sobre investimento superior a 40:1.

Umectantes e anti-evaporantes: Compostos higroscópicos (glicerina, polietilenoglicol, polímeros específicos) que retardam evaporação da calda, aumentando tempo de secagem em 3-8 vezes e melhorando absorção de sistêmicos em 180-320% sob condições adversas.

Sistemas adjuvantes completos: Formulações que combinam surfactante + óleo + condicionador + antiespumante + umectante em proporções otimizadas, simplificando o preparo de calda e garantindo compatibilidade entre componentes.

Estratégias Práticas para Maximizar Eficácia

1. Otimização das Condições de Aplicação

Estabeleça protocolos rigorosos para aplicação incorporando o déficit de pressão de vapor (DPV):

  • Monitore condições meteorológicas em tempo real incluindo DPV
  • Aplique apenas dentro da janela ideal (vento 3,2-6,5 km/h, T<28°C, UR>60%, DPV<1,5 kPa)
  • Suspenda operações quando DPV>1,5 kPa (perdas por evaporação >40%)
  • Priorize aplicações no final da tarde/início da noite ou amanhecer

2. Seleção Adequada de Pontas e Volume de Calda

  • Utilize pontas que produzam gotas médias a grossas (250-400 µm) para reduzir evaporação
  • Mantenha volume de calda entre 100-150 L/ha para soja em estádios reprodutivos
  • Em condições de evaporação inevitável, aumente para 150-180 L/ha
  • Priorize tecnologias de aplicação que garantam penetração no dossel

3. Gestão da Tensão Superficial e Evaporação

  • Utilize surfactantes que reduzam tensão superficial para 28-35 mN/m
  • Incorpore adjuvantes umectantes (glicerina, PEG) em condições de evaporação rápida
  • Realize teste de espalhamento e tempo de secagem antes de aplicações em larga escala
  • Para fungicidas sistêmicos, priorize adjuvantes que prolonguem período de absorção

4. Controle de Espuma

  • Adicione antiespumante ao tanque sempre que espuma exceder 5% do volume total
  • Sequência correta de adição: água (50%) → produtos sólidos → produtos líquidos → completar água → antiespumante (se necessário)
  • Evite agitação excessiva durante preparo da calda
  • Calibre pulverizador considerando volume real de calda (descontando espuma)

5. Incorporação Estratégica de Adjuvantes

  • Utilize sistemas adjuvantes completos que combinem múltiplas funções
  • Em condições de DPV>1,0 kPa, adjuvantes anti-evaporantes são obrigatórios
  • Invista os R$ 51,55/ha em adjuvantes como seguro de eficácia essencial
  • Documente resultados comparando talhões com e sem adjuvantes especializados

6. Gestão de Resistência Através de Rotação de Mecanismos

  • Alterne grupos químicos com mecanismos de ação distintos
  • Incorpore fungicidas multissítios (cobre, mancozebe) para reduzir pressão de seleção
  • Monitore boletins regionais de sensibilidade a fungicidas do Consórcio Antiferrugem

7. Protocolos de Compatibilidade de Calda

  • Realize testes de compatibilidade antes de aplicações em larga escala
  • Siga a ordem correta de adição de produtos ao tanque
  • Monitore pH da calda, mantendo-o entre 5,5 e 6,5
  • Observe formação de precipitados, floculação ou separação de fases

8. Monitoramento de Déficit de Pressão de Vapor (DPV)

  • Utilize estações meteorológicas ou aplicativos que calculem DPV em tempo real
  • Estabeleça protocolos operacionais baseados em DPV:
    • DPV < 1,0 kPa: aplicações sem restrições
    • DPV 1,0-1,5 kPa: aplicações apenas com adjuvantes anti-evaporantes
    • DPV > 1,5 kPa: suspensão obrigatória de operações
  • Treine equipes para interpretação e tomada de decisão baseada em DPV

Perspectivas Futuras e Tecnologias Emergentes

Agricultura de Precisão Aplicada à Pulverização

Sistemas de taxa variável e mapeamento de doenças em tempo real permitem aplicações direcionadas, otimizando uso de defensivos apenas onde necessário. Tecnologias de sensoriamento remoto e inteligência artificial começam a possibilitar identificação precoce de focos de doenças, permitindo intervenções preventivas mais eficazes.

Nanotecnologia em Adjuvantes

Nanopartículas de sílica e polímeros estão sendo desenvolvidas para criar sistemas de liberação controlada, aumentando persistência de fungicidas e reduzindo necessidade de reaplicações. Nanoencapsulação também reduz drasticamente evaporação, mantendo ingrediente ativo protegido. Primeiros resultados indicam potencial de redução de 30-40% no número de aplicações necessárias.

Adjuvantes Inteligentes Responsivos

Pesquisas em andamento na ESALQ-USP e UNESP investigam adjuvantes com capacidade de resposta a estímulos ambientais – formulações que modificam suas propriedades físico-químicas em função de pH, temperatura ou umidade, otimizando automaticamente a aplicação para condições específicas. Polímeros termorresponsivos que aumentam viscosidade com elevação de temperatura estão sendo testados para combater evaporação.

Bioestimulantes e Indutores de Resistência

A integração de bioestimulantes que fortalecem os mecanismos de defesa natural das plantas emerge como estratégia complementar, potencialmente reduzindo dependência exclusiva de fungicidas curativos. Pesquisas da Embrapa Soja demonstram que ativadores de defesa baseados em ácido salicílico e fosfonatos podem reduzir severidade de ferrugem em até 35% quando integrados a programas convencionais.

Análise Econômica Integrada: O Custo Real da Ineficiência

Quantificação das Perdas por Dimensão

Para uma propriedade típica de 1.000 hectares de soja com investimento de R$ 425/ha em fungicidas (R$ 425.000 total):

Perdas por deriva e evaporação (30% em condições inadequadas): R$ 127.500
Perdas por cobertura inadequada (redução de 20% na eficácia): R$ 85.000
Perdas por penetração cuticular insuficiente (15% do potencial): R$ 63.750
Perdas por incompatibilidade de calda (10% em misturas inadequadas): R$ 42.500
Perdas por tensão superficial elevada (40-60% do potencial de penetração): R$ 170.000-255.000
Perdas por formação excessiva de espuma (15% de subdosagem): R$ 63.750
Perdas por evaporação rápida (45-65% em aplicações de 10h-14h): R$ 191.250-276.250

Total de perdas potenciais: R$ 743.750-1.044.000 (175-246% do investimento inicial)

O Retorno do Investimento em Tecnologia de Aplicação

Investimento em programa completo de otimização:

  • Adjuvantes multifuncionais com anti-evaporantes: R$ 65/ha × 1.000 ha = R$ 65.000
  • Monitoramento meteorológico com DPV: R$ 3.500/safra
  • Calibração profissional de equipamentos: R$ 3.000
  • Treinamento de equipe em tecnologia de aplicação: R$ 6.000
  • Investimento total adicional: R$ 77.500

Recuperação conservadora de eficácia (considerando apenas 25% de redução nas perdas totais):

  • Economia em perdas: R$ 185.937-261.000
  • Retorno sobre investimento: 2,4:1 a 3,4:1

Em termos de produtividade, considerando que aplicações otimizadas com controle de evaporação reduzem perdas de 11,2 sc/ha para 3,1 sc/ha (dados Fundação MS):

  • Ganho de produtividade: 8,1 sc/ha
  • Valor adicional (R$ 70/sc): R$ 567/ha
  • Retorno total para 1.000 ha: R$ 567.000

Análise final de retorno:

  • Investimento adicional: R$ 77.500
  • Economia em perdas: R$ 185.937-261.000
  • Ganho em produtividade: R$ 567.000
  • Retorno líquido total: R$ 675.437-750.500
  • ROI: 8,7:1 a 9,7:1

Conclusão: Eficácia Começa Antes da Aplicação

Os dados técnicos brasileiros apresentados demonstram de forma inequívoca que a eficácia real de fungicidas em campo é determinada por múltiplos fatores que vão muito além da escolha do ingrediente ativo. Com perdas documentadas de 30-70% por problemas de aplicação, aumento de 100-1000x na resistência de patógenos, custos de manejo superiores a R$ 425/ha, limitações impostas por tensão superficial inadequada, desperdícios causados por formação excessiva de espuma e perdas críticas de 45-65% por evaporação rápida em condições adversas, cada decisão técnica – da escolha do adjuvante ao momento de aplicação – impacta diretamente a viabilidade econômica da produção.

As sete dimensões de perdas identificadas – deriva, cobertura inadequada, penetração cuticular insuficiente, incompatibilidade de calda, tensão superficial elevada, formação excessiva de espuma e evaporação rápida – representam, em conjunto, potencial de perda de 175-246% do investimento total em fungicidas. Esta constatação dramática transforma a otimização da tecnologia de aplicação de gasto adicional em investimento estratégico absolutamente essencial.

A evaporação rápida emerge como uma das dimensões mais críticas e menos controladas, capaz de eliminar 45-65% do defensivo aplicado quando as condições são adversas (aplicações entre 10h-14h no Cerrado). A quantificação econômica demonstra que a diferença entre aplicar em horário inadequado versus horário ideal com adjuvantes anti-evaporantes pode representar ganho de R$ 546/ha – um valor que, em 1.000 hectares, totaliza R$ 546.000 em uma única safra.

Adjuvantes multifuncionais de qualidade, especialmente sistemas completos que incorporem propriedades umectantes e anti-evaporantes, longe de representarem custo adicional, constituem investimento estratégico essencial para recuperar eficácia perdida. Com retorno sobre investimento comprovado entre 2,4:1 e 3,4:1 apenas em economia de perdas, e ganhos adicionais de 8,1 sacas por hectare em produtividade (ROI final de 8,7:1 a 9,7:1), a equação econômica é inequívoca: a tecnologia de aplicação adequada não é opcional – é pré-requisito absoluto de sustentabilidade e competitividade.

O futuro do manejo fitossanitário na soja brasileira exigirá abordagem cada vez mais integrada e tecnificada, combinando escolha criteriosa de fungicidas, manejo antirresistência, tecnologia de aplicação otimizada, respeito rigoroso às janelas de aplicação baseadas em DPV e uso estratégico de adjuvantes completos que abordem simultaneamente tensão superficial, espalhamento, penetração cuticular, controle de deriva, eliminação de espuma e redução de evaporação. As ferramentas estão disponíveis, os dados comprovam sua eficácia com robustez científica e o retorno econômico está documentado em múltiplas instituições de pesquisa brasileiras – o desafio está em aplicá-las de forma sistemática, disciplinada e baseada em evidências científicas sólidas.

A mensagem final é clara: cada real investido em tecnologia de aplicação retorna multiplicado entre 8 e 10 vezes. Em um setor onde margens são estreitas e competição é acirrada, ignorar estes dados não é mais uma opção tecnicamente defensável nem economicamente viável.

Referências

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