Tratamento de sementes de soja: compatibilidade entre fungicida e inoculante na prática

O tratamento químico de sementes de soja combina, na mesma operação, fungicida, inseticida e inoculante à base de Bradyrhizobium. Essa sequência resolve o controle fitossanitário. Mas cria outro problema, menos visível ao produtor. O princípio ativo do fungicida entra em contato direto com a bactéria fixadora de nitrogênio antes mesmo do plantio.

Campo, Araujo e Hungria (2009) mediram a sobrevivência de Bradyrhizobium em sementes de soja tratadas com oito fungicidas comerciais. Entre eles estavam carbendazim, carboxin, captan e tiram. A mortalidade bacteriana chegou a 62% apenas duas horas após o contato com o fungicida. Em 24 horas, a perda subiu para 95% das células.

Esse efeito se traduz em menos nódulos e menos nitrogênio fixado. Em condições específicas, também reduz a produtividade.

Este artigo descreve o mecanismo de toxicidade do fungicida sobre o rizóbio. Aborda também os princípios ativos de maior risco e a janela de tempo segura entre tratamento e semeadura. Por fim, descreve os aditivos celulares testados para reduzir a perda de células viáveis.

A compatibilidade comeca na superficie da semente: fungicida em contato direto com Bradyrhizobium
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Mecanismo da toxicidade do fungicida sobre o rizóbio

Na semente tratada, o Bradyrhizobium fica exposto na superfície, sem a proteção que teria como bactéria de vida livre no solo. O contato direto com a película do fungicida ocorre justamente nessa janela, antes de a bactéria colonizar a raiz e formar o nódulo.

A maior parte dos fungicidas usados em tratamento de sementes de soja tem espectro de ação amplo. Eles não distinguem entre o fungo alvo e outros microrganismos presentes na superfície da semente. Por isso, o mesmo princípio ativo que controla Fusarium ou Colletotrichum também compromete a membrana celular do rizóbio.

O contato que expoe a bacteria: pelicula de tratamento quimico sobre o tegumento da semente
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Esse estresse à célula bacteriana se soma a outro fator já discutido no Agrotécnico, o índice salino no tratamento de sementes.

Campo, Araujo e Hungria (2009) conduziram os ensaios em laboratório, casa de vegetação e campo, ao longo de cinco safras. Em todos os ambientes testados, a sobrevivência bacteriana foi afetada. A intensidade do efeito variou conforme o princípio ativo.

O reflexo prático aparece na nodulação, com efeito direto sobre a fisiologia da semente tratada. Zilli et al. (2009) trataram sementes de soja com carbendazim mais tiram, em ensaios de campo no cerrado de Roraima, em 2005 e 2006.

Com a estirpe SEMIA 587, o fungicida reduziu a nodulação em cerca de 50%. O rendimento de grãos caiu mais de 20%, o equivalente a 700 kg ha⁻¹, ou cerca de 11,7 sacas de 60 kg por hectare.

A redução de rendimento não ocorre em toda combinação de fungicida e estirpe. No mesmo estudo, estirpes de Bradyrhizobium japonicum se mostraram menos sensíveis do que as de Bradyrhizobium elkanii ao mesmo fungicida. O efeito depende da estirpe usada, não apenas do produto químico.

O problema não é recente. Curley e Burton (1975) já haviam registrado incompatibilidade entre Rhizobium japonicum e protetores químicos de sementes. O registro é anterior à adoção em massa do tratamento industrial no Brasil.

No Brasil, o primeiro levantamento sistemático sobre o tema veio da própria Embrapa Soja (Campo; Hungria, 2000). O documento reuniu os primeiros dados de compatibilidade entre inoculantes e fungicidas de tratamento de sementes de soja no país.

Ele serviu de base para o estudo internacional mais completo sobre o assunto, publicado quase dez anos depois por Campo, Araujo e Hungria (2009).

O mecanismo de toxicidade, porém, vai além da simples mortalidade celular. Segundo Dunfield, Siciliano e Germida (2000), os fungicidas tiram e captan alteram características fenotípicas de Rhizobium leguminosarum. Isso ocorre mesmo em células que permanecem viáveis após o contato.

A bactéria sobrevive, mas com metabolismo alterado, o que pode reduzir sua capacidade de colonizar a raiz e formar nódulos funcionais.

Essa distinção importa na prática. Uma contagem de células viáveis logo após o tratamento pode indicar sobrevivência satisfatória. Ela não revela, no entanto, o prejuízo à eficiência simbiótica que só aparece depois, na nodulação a campo.

Princípios ativos associados a maior risco de incompatibilidade

Nem todo fungicida usado em tratamento de sementes de soja apresenta o mesmo risco para o inoculante. Marks et al. (2013) avaliaram quatro fungicidas comerciais quanto à sobrevivência de Bradyrhizobium em sementes inoculadas. O teste incluiu tratamentos com e sem aditivo celular, avaliados 4, 24, 48 e 72 horas após a aplicação.

Entre os quatro fungicidas testados, duas formulações se destacaram pelo efeito negativo. A base de carboxin mais tiram e a base de carbendazim foram as mais prejudiciais aos bradirrizóbios no ensaio. Nesses dois casos, o aditivo celular não teve efeito relevante na sobrevivência bacteriana.

As outras duas formulações testadas, uma delas à base de fludioxonil mais metalaxil-M, responderam melhor à combinação com aditivo celular. A sobrevivência bacteriana nesses tratamentos ficou mais próxima do inoculante aplicado sem fungicida.

Esse padrão indica uma tendência. Fungicidas sistêmicos de amplo espectro, como carbendazim e carboxin, costumam ser mais tóxicos ao rizóbio. Formulações de contato ou de espectro mais restrito, como fludioxonil, tendem a apresentar menor risco.

Existe, porém, uma divergência relevante na literatura. Pereira et al. (2010) testaram carbendazim mais tiram e tiabendazol mais tiram, associados ou não a polímero protetor. Os autores não observaram efeito negativo sobre o estabelecimento e o desenvolvimento de nódulos, em nenhuma das épocas de aplicação testadas.

A diferença entre os resultados de Zilli et al. (2009) e Pereira et al. (2010), ambos com carbendazim mais tiram, reforça um ponto importante. O efeito de um fungicida sobre o rizóbio não é fixo. Ele varia conforme a estirpe bacteriana, o tipo de solo e as condições de armazenamento da semente tratada.

Na prática, o rótulo do fungicida não substitui um teste de compatibilidade específico. Esse teste deve considerar o inoculante e a estirpe usados na propriedade, sobretudo quando o tratamento antecede a semeadura em vários dias.

Janela de tempo entre tratamento e semeadura

Sem aditivo celular, a curva de mortalidade descrita por Campo, Araujo e Hungria (2009) impõe um limite rígido de tempo. A perda de 62% em duas horas e de 95% em 24 horas sustenta a recomendação tradicional. Inocular no mesmo dia da semeadura, sempre depois do fungicida.

O tempo reduz a populacao viavel: mortalidade de Bradyrhizobium de 62 por cento em 2 horas e 95 por cento em 24 horas apos o tratamento
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Essa janela apertada ajuda a explicar por que parte dos produtores brasileiros ainda trata a semente sem inocular. Em outros casos, a inoculação é feita com dose reduzida por pressa operacional. O tempo gasto nessa etapa é citado como fator de perda de eficiência do maquinário na semeadura.

A introdução de aditivos celulares mudou esse cenário em ensaios recentes. Araujo et al. (2017) demonstraram viabilidade de pré-inoculação de sementes tratadas com agroquímicos até 30 dias antes da semeadura, sem prejuízo à nodulação. Machineski et al. (2018) estenderam esse resultado a 60 dias, em condições específicas de armazenamento.

Sandini et al. (2018) relataram ausência de comprometimento da nodulação e do rendimento em sementes tratadas até 71 dias antes da semeadura. O ensaio ocorreu em solo argiloso, com alto teor de matéria orgânica. O resultado sugere que o solo de destino também influencia a janela segura, não apenas o produto usado na semente.

Venancio et al. (2025) validaram 25 dias de antecedência em quatro municípios brasileiros. O inoculante líquido testado foi associado a aditivo celular de polivinil, na dose de 0,5 mL por kg de semente. As sementes também receberam o inseticida tiametoxam e o fungicida à base de fludioxonil mais metalaxil-M.

A concentração de células viáveis foi de 1,9 x 10⁹ UFC por semente no dia do tratamento. Após 25 dias, a concentração foi de 1,94 x 10⁹ UFC, sem redução estatística relevante.

O armazenamento das sementes tratadas ocorreu em ambiente seco, ao abrigo de luz. A temperatura ficou entre 20°C e 24°C, com umidade relativa do ar abaixo de 70%. Fora dessas condições, os prazos observados não podem ser assumidos como garantidos.

Aditivos celulares como estratégia de mitigação

Adicionar um aditivo celular ao inoculante forma uma camada protetora ao redor da bactéria. Isso reduz o contato direto com o fungicida e retém umidade sobre a célula. O composto não neutraliza o princípio ativo, apenas isola fisicamente parte da população bacteriana.

O aditivo celular reduz o contato direto entre o fungicida e o Bradyrhizobium na semente de soja
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Marks et al. (2013) mostraram que esse mecanismo tem eficácia dependente do fungicida usado. Nas duas formulações menos agressivas do ensaio, o aditivo elevou a contagem de bradirrizóbios recuperados, em todos os períodos avaliados até 72 horas.

Nas formulações à base de carboxin mais tiram e à base de carbendazim, o aditivo não produziu diferença estatística na sobrevivência bacteriana. Os autores atribuem esse resultado à toxicidade mais alta desses dois fungicidas, que superaria a barreira física do polímero protetor.

Venancio et al. (2025) testaram a combinação de forma mais completa. O ensaio incluiu fertilizante mineral misto com molibdênio e o próprio protetor celular, em quatro locais do Brasil, na safra 2021/2022. Os ganhos de produtividade da pré-inoculação com 25 dias de antecedência variaram de 8,0% a 10,1%, em relação à testemunha sem inoculação.

Esses ganhos foram estatisticamente equivalentes à inoculação padrão feita no dia da semeadura, em três dos quatro locais testados. O aditivo celular manteve a eficiência agronômica mesmo com o intervalo de 25 dias entre tratamento e plantio.

O ponto relevante para o produtor é que o aditivo celular não é uma solução universal. Ele funciona quando testado com o fungicida e a estirpe específicos usados na propriedade. Essa verificação deve ocorrer antes da adoção em escala, principalmente com fungicidas de toxicidade já conhecida ao rizóbio.

Essa verificação vale produto por produto, não por categoria comercial. Um aditivo que funciona bem com um fungicida específico não garante o mesmo resultado com outro produto do mesmo grupo químico. Isso vale mesmo quando ambos estão registrados para a mesma finalidade.

Fatores que ampliam ou reduzem o risco

Segundo Rennie et al. (1985), o efeito biotóxico de um defensivo agrícola sobre a bactéria depende de vários fatores em conjunto. Entre eles estão a dosagem do produto aplicado, o isolado ou a estirpe presente no inoculante e a metodologia usada na inoculação.

Isso explica por que o mesmo princípio ativo produz resultados diferentes em ensaios distintos, como ocorreu entre Zilli et al. (2009) e Pereira et al. (2010). A dose de fungicida, a qualidade do inoculante e a estirpe bacteriana variam entre os estudos, e cada uma dessas variáveis interfere no resultado final.

Protocolo simples de verificação em propriedade

Antes de adotar uma combinação de fungicida, aditivo celular e inoculante em escala, o produtor pode agir de forma preventiva. Basta solicitar ao fornecedor os dados de sobrevivência bacteriana para aquela combinação específica.

A metodologia oficial de contagem no Brasil segue a Instrução Normativa MAPA nº 30, de 2010, pelo método do número mais provável. Esse método estima a população bacteriana por diluição sucessiva da amostra, testada em planta-isca sob condições assépticas.

A Instrução Normativa MAPA nº 13, de 2011, estabelece ainda as especificações e garantias mínimas exigidas para inoculantes comerciais. Um laudo de contagem de células, feito 24 ou 48 horas após o tratamento da semente, é um bom indicador. Ele mostra se a combinação escolhida preserva a população bacteriana em nível suficiente para uma nodulação adequada.

Essa checagem é mais relevante quando a pré-inoculação industrial antecede a semeadura em várias semanas. Nessa situação, pequenas diferenças de toxicidade se acumulam ao longo do armazenamento.

Recomendação prática por tipo de área

O impacto do fungicida sobre o inoculante não é uniforme entre lavouras. Isso depende, entre outros fatores, da comunidade de microrganismos do solo já presente na área.

Campo, Araujo e Hungria (2009) relatam efeitos tóxicos mais severos em solos arenosos, sem histórico de cultivo de soja e sem população estabelecida de Bradyrhizobium. Nessas condições, a redução de nodulação chegou a 87%.

Campo et al. (2010) compararam sete experimentos de campo. Três ocorreram em solos previamente cultivados com soja, com mais de 10.000 células de Bradyrhizobium por grama. Quatro ocorreram em áreas de primeiro cultivo, com menos de 100 células por grama. A inoculação no sulco de semeadura se mostrou alternativa viável para as áreas de primeiro ano.

Venancio et al. (2025) observaram esse contraste diretamente. Em Palmeira-PR e Itapira-SP, com população de solo de 9.324 células de rizóbio por grama, a testemunha sem inoculação ainda formou nódulos. O número, porém, foi inferior ao dos tratamentos inoculados.

Em Araguari-MG e Catalão-GO, a análise de solo não detectou nenhuma célula de Bradyrhizobium nativa. Nesses dois locais, a testemunha sem inoculação apresentou nodulação bem inferior à dos tratamentos inoculados, com diferença estatística na maioria das variáveis avaliadas.

Em áreas de primeiro ano ou solo arenoso sem histórico de soja, uma boa nodulação deixa de ser opcional. Não existe população nativa de rizóbio para compensar eventuais falhas no tratamento de sementes. Nesses casos, a inoculação no sulco ou a inoculação sem tratamento antecipado reduz o risco de perda de nódulos.

Quando a pré-inoculação industrial é necessária por razões operacionais, o cenário muda. O uso de aditivo celular com compatibilidade comprovada para o fungicida específico se torna condição para manter a nodulação em solos sem população estabelecida.

Para áreas com população de Bradyrhizobium já estabelecida, o efeito do fungicida sobre a inoculação ainda existe. A nodulação nativa, no entanto, oferece uma margem de segurança ausente em solos de primeiro ano. Nesses casos, o protocolo padrão de inoculação no dia da semeadura costuma ser suficiente.

Dose do inoculante como fator de compensação

Campo et al. (2010) observaram que, na inoculação no sulco de semeadura, o melhor desempenho ocorreu com concentrações elevadas de Bradyrhizobium. A dose testada chegou a 2,5 milhões de células por semente. A dose mais alta ajuda a compensar a perda natural de células ao longo do processo.

Esse princípio também se aplica ao tratamento de sementes com fungicida. Parte da população bacteriana morre no contato com o produto. Uma dose inicial mais generosa de inoculante reduz o risco de a contagem final ficar abaixo do necessário para uma boa nodulação.

Zilli et al. (2010) compararam diretamente a inoculação no sulco com a inoculação na semente. O ensaio ocorreu em solo de cerrado sem histórico de soja, testando os fungicidas carboxin mais tiram e carbendazim mais tiram.

Quando as sementes foram tratadas com carbendazim mais tiram, a inoculação na semente resultou em menor nodulação e menor rendimento de grãos.

Na inoculação no sulco, feita separadamente do fungicida, esse mesmo prejuízo não ocorreu. Os autores concluíram que a inoculação no sulco é uma alternativa viável quando o fungicida usado tem toxicidade elevada e comprovada ao rizóbio.

Compatibilidade nao e propriedade de um produto: fatores que influenciam a compatibilidade entre fungicida e inoculante em soja
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Resumo prático por cenário

  • Solo de primeiro ano de soja, arenoso, sem população de Bradyrhizobium: priorizar inoculação no sulco de semeadura ou inoculação sem tratamento antecipado. Se a pré-inoculação industrial for inevitável, exigir laudo de sobrevivência bacteriana da combinação específica de fungicida e aditivo celular.
  • Solo com população de Bradyrhizobium já estabelecida: o protocolo padrão de inoculação no dia da semeadura, com inoculante de qualidade comprovada, costuma ser suficiente.
  • Pré-inoculação antecipada em dias ou semanas: solicitar ao fornecedor a contagem de células viáveis feita 24 a 48 horas após o tratamento. O método oficial é o do número mais provável, previsto na Instrução Normativa MAPA nº 30/2010.
  • Armazenamento das sementes tratadas: ambiente seco, ao abrigo de luz. Temperatura entre 20°C e 24°C, com umidade relativa do ar abaixo de 70%.

Conclusão

A toxicidade do fungicida sobre o rizóbio é mensurável desde os ensaios de Campo, Araujo e Hungria (2009). A mortalidade chegou a 95% em 24 horas de contato sem proteção. O risco varia conforme o princípio ativo, com carbendazim e carboxin associados a maior toxicidade do que fludioxonil em ensaios comparativos.

Aditivos celulares testados por Marks et al. (2013) e por Venancio et al. (2025) reduzem essa perda. O efeito, porém, depende do fungicida usado, e não funciona como solução genérica para qualquer combinação de produtos.

A literatura recente aponta avanço da pré-inoculação industrial. Sandini et al. (2018) relatam janelas de até 71 dias em condições controladas de solo e armazenamento. Isso amplia a flexibilidade operacional do produtor, sem depender da inoculação no mesmo dia da semeadura.

Em áreas sem população estabelecida de Bradyrhizobium, a compatibilidade entre fungicida e inoculante deixa de ser um ajuste fino de manejo. Ela passa a determinar diretamente o resultado da fixação biológica de nitrogênio na safra.

Para aprofundar o tema, veja também o artigo sobre co-inoculação com Azospirillum e Bradyrhizobium, publicado no Agrotécnico.

Referências

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Deyvid Bueno

Deyvid Bueno

Fundador do Agrotécnico.com.br

Gerente de Produtos · ICL América do Sul | Gestão de Produtos (Business Behavior Institute) | MBA PUCRS | FAZU | UFMT | IFRO

[email protected]

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