O índice de área foliar da soja (IAF) expressa a área de folhas por área de solo. Um IAF de 4 corresponde a quatro metros quadrados de folha para cada metro quadrado de terreno.
Tamang et al. (2026) compararam 204 linhagens quase isogênicas de soja em Illinois. As de folíolos estreitos tiveram IAF máximo 13,3% menor. O rendimento foi de 5.756 kg/ha, contra 5.801 kg/ha nas de folíolos largos.
Fechar as entrelinhas cedo costuma indicar uma lavoura de alta produtividade, e há razão agronômica para isso. Enquanto o dossel se forma, novas folhas ampliam a captura de radiação e sustentam a produção de biomassa.
O problema começa quando essa observação vira regra para todo o ciclo. Depois de certo ponto, produzir mais folhas aumenta o volume verde sem acrescentar grãos na mesma proporção.
O IAF descreve a quantidade de tecido foliar. Sozinho, ele não informa onde esse tecido está, quanta luz chega aos estratos inferiores nem quanto do carbono assimilado termina nas sementes.
A questão a levar ao campo é o que a área adicional entrega à planta em cada ambiente e estádio. Este artigo descreve o desenho do estudo, as curvas de IAF e rendimento, a pesquisa brasileira sobre o tema e os registros úteis no talhão.
O índice de área foliar da soja e o ganho inicial de folhas
No início do desenvolvimento, aumentar a área foliar reduz a radiação que atravessa o dossel e chega ao solo. A planta intercepta mais luz e forma uma estrutura capaz de sustentar a fotossíntese na fase reprodutiva.
Uma lavoura que demora a formar essa cobertura deixa parte da radiação sem uso. Isso ocorre justamente quando ainda poderia construir capacidade produtiva.
Essa resposta não cresce indefinidamente com o IAF. Folhas novas podem se sobrepor às antigas. A luz se concentra no alto do dossel, e folhas dos estratos inferiores recebem menos radiação.
Localização, inclinação, forma e duração das folhas passam a pesar tanto quanto a soma de suas áreas.
Uma folha sombreada não se torna automaticamente inútil. Sob luz difusa ou em outros horários do dia, ela ainda soma ao balanço de carbono da planta.
A construção dessa folha exigiu carbono e nutrientes, e o tecido vivo continua respirando. O retorno desse investimento depende do conjunto do dossel.
Área foliar, interceptação de luz e uso da radiação são grandezas relacionadas, mas não equivalentes.
A Figura 1 compara a arquitetura de plantas com folíolos largos e estreitos e a distribuição hipotética da luz.

Como o IAF é medido e o que ele não informa
O índice de área foliar da soja pode ser medido de forma direta ou indireta. O método direto coleta e mede as folhas. O indireto parte da luz que atravessa o dossel.
Os métodos indiretos permitem repetir a leitura nas mesmas parcelas ao longo do ciclo, sem destruir plantas.
No estudo de Tamang et al. (2026), o IAF foi medido com uma sonda de 1 metro e 64 sensores de radiação fotossinteticamente ativa. A sonda ficava na base das plantas, perpendicular às quatro linhas de cada parcela.
Foram dez leituras por parcela, entre 25 e 95 dias após o plantio, do estádio V2 ao R6. Em 600 parcelas, isso somou 6.000 medições. Os autores ajustaram uma curva suavizada aos dados de cada parcela e extraíram dela o IAF máximo.
O IAF máximo é o pico de uma curva ajustada, calculada com leituras de vários dias. Esse pico ocorreu por volta de 68 dias após o plantio nas linhas de 38 cm e de 75 dias nas linhas de 76 cm.
Na prática, você dificilmente terá uma sonda desse tipo no talhão. O que o estudo ensina é que o IAF muda com o estádio, e que comparar talhões exige comparar no mesmo estádio.
Todo valor de IAF depende do método. Hastes e vagens interceptam luz e podem entrar na leitura de sensores. Por isso, números de estudos diferentes só se comparam com cautela.
O que aconteceu quando a forma dos folíolos mudou
As 204 linhagens quase isogênicas avaliadas por Tamang et al. (2026) foram desenvolvidas a partir de uma cultivar de folíolos largos. A introdução do alelo ln, ligado ao gene GmJAG1, produziu folíolos mais estreitos.
Os materiais foram estudados em dois locais de Illinois, nos Estados Unidos, com espaçamentos de 38 e 76 centímetros entre linhas. Essa comparação reduz parte das diferenças genéticas que confundiriam um confronto entre cultivares sem parentesco próximo. Ela não isola, porém, um efeito fisiológico isolado.
Nas linhagens de folíolos estreitos, o IAF máximo foi em média 13,3% menor. A biomassa digital estimada por LiDAR foi cerca de 3% menor no local de maior produtividade.
O rendimento médio foi de 5.756 kg/ha, comparado a 5.801 kg/ha nas linhagens de folíolos largos. A diferença de cerca de 45 kg/ha não foi estatisticamente detectada (P = 0,43).
Isso permite dizer que os materiais mantiveram rendimentos semelhantes nas condições avaliadas. Não prova equivalência universal entre os dois tipos de planta.
O valor de P igual a 0,43 indica que uma diferença de 45 kg/ha é compatível com a variação ao acaso entre parcelas. Com 600 parcelas, a comparação tem sustentação, mas diferenças muito pequenas, abaixo da variação entre parcelas, podem passar despercebidas.
O alelo ln veio de dois genitores doadores (PI 612713A e PI 547745) e foi introduzido na cultivar de folíolos largos LD11-2170.
Os dois grupos de linhagens foram comparados sob as mesmas combinações de local e espaçamento, o que equilibra a comparação entre os tipos de folha.
Dentro das condições do estudo, a redução de cerca de 13% na área foliar máxima, obtida pela forma do folíolo, não alterou o rendimento. Esse achado vale para os materiais testados. Ele não autoriza reduzir folhas por manejo na lavoura.
O fechamento do dossel foi parecido. As linhagens de folíolos estreitos chegaram à cobertura completa com menos de dois dias de atraso, mesmo com menor IAF máximo.
No pico de desenvolvimento do dossel, o NDVI, índice de vegetação obtido de imagens aéreas, não diferenciou os dois grupos. Uma imagem aérea que mostrasse ambos igualmente verdes deixaria escapar a diferença de estrutura foliar registrada pelas medições de IAF.
Uma parte da área foliar do material de folíolos largos pôde ser reduzida sem perda detectável de rendimento nesse experimento.
Os resultados não demonstram que a planta de folíolos estreitos usou menos água ou nutrientes. Eles não quantificam quanto carbono cada estrato do dossel assimilou.
Local e espaçamento pesaram mais que a forma da folha
O Energy Farm e o SoyFACE pertencem à Universidade de Illinois em Urbana-Champaign e ficam a cerca de 3 quilômetros um do outro.
Mesmo assim, o rendimento médio foi 17% maior no Energy Farm, com 6.256 kg/ha contra 5.332 kg/ha no SoyFACE.
O espaçamento também pesou. As parcelas de 38 cm renderam em média 6.108 kg/ha, e as de 76 cm, 5.449 kg/ha, uma diferença de 12%.
Nas linhas de 38 cm a população foi de 447 mil sementes por hectare, e nas de 76 cm, de 314 mil.
Como a população mudou junto com o espaçamento, os dois efeitos não se separam nesse experimento. A comparação válida dentro do estudo é entre os tipos de folha, feita sob cada combinação de local e espaçamento.
Cada parcela tinha quatro linhas de 2,4 metros. O plantio ocorreu em 30 de maio de 2024 no Energy Farm e em 4 de junho de 2024 no SoyFACE.
As plantas daninhas foram removidas manualmente. A irrigação foi aplicada uma vez no SoyFACE e duas no Energy Farm, no início do desenvolvimento vegetativo.
Esse padrão se repetiu no IAF máximo. O valor foi 10,2 no Energy Farm e 8,59 no SoyFACE. Nas linhas, foi 10,39 com 38 cm e 8,5 com 76 cm.
Em termos padronizados, local, espaçamento e forma da folha tiveram efeitos de tamanho comparáveis sobre o IAF, entre 0,51 e 0,70.
O espaçamento controlou o fechamento do dossel. No SoyFACE, com 38 cm, metade da cobertura do solo foi atingida aos 26 dias após o plantio e a cobertura total aos 44 dias. Com 76 cm, os valores foram 38 e 65 dias.
A forma da folha atrasou o fechamento em no máximo 1,46 dia.
A biomassa digital foi medida por LiDAR no Energy Farm. Ela foi 10% maior nas linhas de 38 cm, com 6,11 contra 5,56 m³ m⁻². Entre os tipos de folha, a diferença foi de cerca de 3%.
No rendimento, a hierarquia foi clara. Local e espaçamento alteraram a produtividade em 17% e 12%. A forma da folha alterou em 0,78%, diferença sem significância estatística.
Esses números ajudam a dimensionar o resultado. A redução de IAF obtida pela forma da folha teve magnitude comparável à produzida por ambiente e espaçamento. O rendimento, porém, só respondeu a estes dois.
Na prática, local e espaçamento foram associados a diferenças de rendimento maiores que a forma da folha. Antes de atribuir uma diferença entre talhões à arquitetura do dossel, compare local, espaçamento e população.
Fotossíntese e estrutura da folha estreita
Folíolos estreitos poderiam compensar a menor área com maior capacidade fotossintética por unidade de folha. Os autores testaram essa hipótese com curvas de resposta da fotossíntese ao CO₂ em 264 parcelas, usando um analisador de gases por infravermelho.
As leituras foram feitas em folhas recém-maduras, em geral o quarto trifólio a partir do ápice, entre os estádios R1 e R2.
As estimativas foram normalizadas para 25 °C. Isso permite comparar medidas feitas em dias com temperaturas diferentes.
Dessas curvas, estimaram duas variáveis. A Vcmax é a taxa máxima de carboxilação da Rubisco, a enzima que fixa o CO₂. A Jmax é a taxa máxima de transporte de elétrons, que sustenta a regeneração da RuBP, o substrato da Rubisco.
Vcmax e Jmax descrevem a capacidade fotossintética da folha. A fotossíntese realizada no campo depende ainda de luz, temperatura e abertura dos estômatos.
A forma da folha não alterou a Vcmax. A Jmax foi cerca de 4% maior nas linhagens estreitas, aumento pequeno. O local pesou mais, pois Vcmax e Jmax foram 17% e 12% maiores no SoyFACE, o local de menor rendimento.
Segundo Tamang et al. (2026), a fertilidade maior do Energy Farm pode ter permitido mais área foliar total e distribuído o nitrogênio por mais tecido. As leituras de SPAD, que estimam o teor relativo de clorofila, foram cerca de 3% menores nesse local.
A folha estreita teve cerca de 35% menos área por folha e massa foliar por área 5% maior. A massa foliar por área (LMA) é a massa seca da folha dividida pela sua área. Valores maiores indicam folha mais espessa ou mais densa.
Folhas mais espessas ou densas, como indica a LMA maior, concentram mais tecido por unidade de área. Isso é compatível com a hipótese de compensação, mas o estudo não a testou diretamente.
A fotossíntese por unidade de área não foi medida nesse ensaio. Por isso, a compensação da menor área por mais tecido em cada unidade de folha continua sendo hipótese. Ela é apoiada pela LMA e pela Jmax um pouco maiores.
Por isso, o resultado indica ausência de perda evidente de capacidade fotossintética. Ele não demonstra ganho.
A fenologia ficou praticamente igual. Os dois tipos de folha atingiram o declínio do NDVI, indicador de maturidade reprodutiva, aos 79 dias. A altura foi de 108,3 cm nas linhagens largas e de 106,3 cm nas estreitas.
Essa semelhança dá mais confiança de que a comparação de rendimento não foi distorcida por diferença de ciclo.
A curva que ajuda a entender o limite
Os autores relacionaram o IAF máximo ao rendimento em cada combinação de local e espaçamento. Em vez de uma reta ascendente, ajustaram curvas quadráticas. O rendimento estimado subia, alcançava um máximo e depois deixava de ganhar com a área foliar adicional.
Os máximos ajustados variaram entre IAF 9 e 11, conforme a condição experimental.
O formato da curva mostra por que mais folha não pode ser tratado como sinônimo permanente de mais grão. A força preditiva dos ajustes, porém, foi modesta, com R² de 0,035 a 0,19.
Isoladamente, o IAF máximo explicou apenas uma parcela pequena da variação de rendimento entre as parcelas. O ponto mais alto de cada curva não deve virar meta agronômica.
A Figura 2 mostra as quatro curvas ajustadas, uma para cada combinação de local e espaçamento.

Os valores medidos no Brasil são menores que os de Illinois. Isso não contradiz o ensaio americano, pois genótipos, ambientes, métodos e perguntas diferem. Os estudos brasileiros descritos a seguir reforçam que não existe IAF ótimo transferível para qualquer lavoura de soja.
O IAF em pesquisas no Sul do Brasil
Tagliapietra et al. (2018) reuniram dados de experimentos em lavouras comerciais e em estações de pesquisa, em quatro safras (2011 a 2015) no Sul do Brasil. Os autores traçaram uma função de limite superior entre IAF e rendimento.
A relação mais clara apareceu nos experimentos com pequena diferença entre o rendimento obtido e o máximo possível. Eram os de rendimento acima de 4,5 t/ha.
Nesse grupo, o IAF ótimo no início do florescimento (R1) ficou entre 3,4, em cultivares indeterminadas, e 4,5, nas determinadas.
O valor ótimo do IAF máximo ficou entre 6,0, nas indeterminadas, e 6,5, nas determinadas. Os autores concluíram que o IAF desejável deve ser ajustado conforme o grupo de maturidade, o hábito de crescimento e a época de semeadura.
Winck et al. (2020) acompanharam duas cultivares em arranjos espaciais diferentes, em duas safras (2015/16 e 2016/17), em ambiente subtropical. O IAF máximo ocorreu perto do estádio R5, como em Tagliapietra et al. (2018), e os autores não recomendaram mudar o espaçamento convencional.
Em escala mais ampla, Srinivasan, Kumar e Long (2017) combinaram modelagem e dados empíricos. Concluíram que cultivares modernas de soja produzem área foliar em excesso, condição que tende a piorar com o aumento do CO₂ atmosférico.
Ao ler um valor do índice de área foliar da soja, você deve conferir método, cultivar e ambiente. Só nessas condições os números se comparam.
O intervalo de 6,0 a 6,5 do Sul do Brasil não corrige os valores de 9 a 11 de Illinois.
Nem toda a resposta passa pela luz
É tentador atribuir a manutenção da produtividade à luz que atravessa os folíolos estreitos. A hipótese é fisiologicamente coerente. Bianchi et al. (2020), na Argentina, encontraram diferenças no ambiente luminoso do dossel ao comparar linhagens de folíolos lanceolados e ovados.
O ensaio de Tamang et al. (2026) não mediu a fotossíntese de cada estrato do dossel. Por isso, não demonstra que a penetração de luz causou a equivalência de rendimento.
O locus Ln/GmJAG1 está associado ao número de sementes por vagem. A avaliação dos componentes de rendimento ocorreu em um local, apenas no espaçamento de 76 centímetros.
Nele, 34% das vagens das linhagens de folíolos estreitos tinham quatro sementes, ante 1,8% nas de folíolos largos. As sementes dos materiais de folíolos estreitos eram, em média, menores.
A manutenção do rendimento resulta de um balanço entre componentes. Nenhuma medida isolada demonstra que a luz foi melhor aproveitada.
Essa distinção muda a maneira de contar a história. A arquitetura do dossel é uma explicação possível, e a alteração genética alcança estruturas reprodutivas.
Reduzir o estudo a uma narrativa de menos folhas, mais luz e mesma produção esconderia a parte mais interessante da fisiologia.
Sementes por vagem e peso de sementes
O gene GmJAG1 corresponde ao locus Ln, descrito por Jeong et al. (2012) como regulador do formato do folíolo e do número de sementes por vagem.
A troca de um aminoácido, ácido aspártico por histidina, em um motivo de repressão chamado EAR inativa a função repressora da proteína.
No SoyFACE, em 76 cm, uma planta representativa de cada parcela teve em média 40 vagens nas linhagens largas e 39 nas estreitas. A distribuição de sementes por vagem, porém, mudou bastante.
Vagens com quatro sementes foram 34% do total nas linhagens estreitas e 1,8% nas largas. As vagens de duas sementes caíram de 37,3% nas largas para 13,6% nas estreitas. As de três sementes foram 51,2% nas estreitas e 58,2% nas largas.
O peso de cem sementes foi 9% menor nas linhagens estreitas, com 15,01 g contra 16,49 g. O teor de proteína foi de 39,76% contra 40,32%, e o de óleo ficou praticamente igual, com 20,95% contra 20,99%.
Mais sementes por vagem, com sementes menores, resultaram em rendimento semelhante. Tamang et al. (2026) atribuem a paridade a essa compensação entre componentes.
O estudo argentino de Bianchi et al. (2020) também observou efeito do formato do folíolo sobre os componentes. Nas linhagens lanceoladas houve mais vagens iniciadas, sobretudo nos ramos. Esse número se associou de forma negativa ao IAF e à interceptação de luz.
Os mesmos autores encontraram associação positiva com a relação vermelho/vermelho-distante dentro do dossel. Esse resultado sugere que a qualidade da luz no interior do dossel pode participar da resposta, além da quantidade.
O que observar na lavoura
A aplicação imediata desse trabalho é a leitura da cultura. Ele não sustenta recomendar redução de população nem desfolha.
Ao comparar talhões ou cultivares, você pode registrar quando o solo foi coberto e em que estádio o dossel atingiu maior volume. Registre também como a estrutura vegetativa se relacionou com vagens e grãos ao final do ciclo.
População de plantas, espaçamento, cultivar, disponibilidade de água, sanidade e ambiente precisam entrar na comparação.
Numa lavoura muito fechada, a questão prática é saber se essa cobertura está se convertendo em componentes de rendimento naquele ambiente.
Observar a iluminação e a manutenção das folhas inferiores dá contexto. Essa observação visual não substitui medições de IAF, de radiação no dossel ou a avaliação de rendimento.
NDVI próximo da saturação e fechamento visual das entrelinhas indicam cobertura verde. Não mostram quanto carbono cada estrato assimila.
Para o melhoramento, o resultado sugere testar arquiteturas que mantenham captura suficiente de luz e produtividade com menor investimento em tecido vegetativo.
Para o manejo atual, o estudo evita uma conclusão apressada. Uma lavoura com folhagem densa pode ser produtiva, mas a densidade de folhas não prova isso.
O melhor dossel tem estrutura funcional no ambiente e no ciclo da cultivar e termina o processo formando grãos. Seu tamanho, maior ou menor, importa menos.
O estudo americano mostra que uma redução genética da área foliar pode preservar o rendimento em condições definidas. Saber onde esse equilíbrio fica para os materiais e sistemas brasileiros exige medições locais.
Registros que você pode fazer no talhão
Antes de usar o IAF como referência, você pode montar uma ficha de comparação entre talhões da mesma cultivar. O objetivo é descrever como a cobertura verde se converteu em vagens e grãos. A ficha não define meta de área foliar.
Os campos da ficha são estes:
- data de semeadura, população de plantas e espaçamento entre linhas
- data em que o solo deixou de ser visível entre as linhas
- estádio em que o dossel atingiu o maior volume
- vagens por planta e sementes por vagem na colheita
- peso de sementes e rendimento do talhão
Esses campos reproduzem, em escala de fazenda, as variáveis que o estudo de Illinois mediu, como fechamento do dossel, componentes de rendimento e produtividade.
Registre o estádio em que as folhas inferiores amarelam e caem. Essa observação visual não mede a assimilação desses estratos, mas dá contexto à comparação entre talhões.
Compare sempre talhões com a mesma cultivar, população e espaçamento. No experimento de Illinois, espaçamento e população alteraram o rendimento em 12%, bem mais que a forma da folha. Arranjos diferentes misturam os efeitos.
Se a diferença entre talhões persistir depois desse controle, você tem uma pergunta de pesquisa local. Ela ainda não é uma recomendação. Faixas repetidas por duas ou mais safras respondem melhor que um talhão isolado.
Conclusão
Em 204 linhagens quase isogênicas de Illinois, o folíolo estreito reduziu o IAF máximo em 13,3% e a biomassa digital em cerca de 3%. O rendimento não diferiu de forma detectável (5.756 contra 5.801 kg/ha).
A paridade veio com mais vagens de quatro sementes e sementes 9% mais leves.
Local e espaçamento alteraram o rendimento em 17% e 12%, contra 0,78% da forma da folha. No Sul do Brasil, Tagliapietra et al. (2018) encontraram IAF máximo ótimo entre 6,0 e 6,5, valores distintos dos de Illinois.
Os autores indicam como próximo passo avaliar esses genótipos sob limitação hídrica, calor e populações abaixo do ideal. Nenhuma das três fontes de dados citadas aqui testou folíolos estreitos em cultivares brasileiras.
Se você já comparou cobertura do dossel e componentes de rendimento no seu talhão, conte nos comentários o que observou. Para outro efeito do dossel sobre a soja, leia o artigo sobre a transpiração diferencial em soja.
Referências
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SRINIVASAN, V.; KUMAR, P.; LONG, S. P. Decreasing, not increasing, leaf area will raise crop yields under global atmospheric change. Global Change Biology, v. 23, n. 4, p. 1626-1635, 2017. Disponível em: https://doi.org/10.1111/gcb.13526.
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TAMANG, B. G. et al. Bigger is not always better: optimizing leaf area index with narrow-leaf shape in soybean. Plant Physiology, v. 200, n. 3, kiaf663, 2026. Disponível em: https://doi.org/10.1093/plphys/kiaf663.
WINCK, J. E. M. et al. Spatial arrangement of plants on leaf growth and development and the yield potential of soybean. Australian Journal of Crop Science, v. 14, n. 6, p. 913-922, 2020. Disponível em: https://doi.org/10.21475/ajcs.20.14.06.p1721.
Deyvid Bueno
Fundador do Agrotécnico.com.br
Gerente de Produtos · ICL América do Sul | Gestão de Produtos (Business Behavior Institute) | MBA PUCRS | FAZU | UFMT | IFRO






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